quarta-feira, 22 de julho de 2009

"Octahedron"

E ao quinto álbum, que a banda afirma ser o seu álbum acústico, o nível do grupo mantém-se. Com a qualidade já habitual, com temas a usarem letras muito mais introspectivas, este álbum seguramente agarra qualquer um, desde que aberto a uma nova sonoridade. Como ponto a destacar, a última aquisição do grupo, Thomas Pridgen. Para quem não sabe, este senhor é um baterista muito considerado no meio musical, sobretudo no meio do gospel e com uma técnica muito acima da média. É notório nos últimos trabalhos a sua mão, dando uma nova dimensão ao som da banda com a sua percussão muito característica. E esta secção de bateria tão diferente, em conjunto com o toque genial de Omar e a voz de Cedric Bixler-Zavala, atingiram um nível fantástico neste trabalho.

Há que deixar claro: estes rapazes continuam iguais a si próprios, com uma imprevisibilidade que poucos grupos conseguem ter e que poucos se arriscam a aproveitar. E tudo isto revela talento e criatividade. Criatividade essa que não fica pela parte musical, pois mesmo os títulos das faixas do álbum conseguem mencionar cientistas famosos, paisagens naturais e outras áreas da cultura popular.

A destacar neste álbum, ficam as músicas "Since we've been wrong" (e que diferença se sente entre o momento em que há uma bateria e a parte em que não há!), "Cotopaxi", que claramente marca uma diferença em relação ao restante do álbum, com uma energia explosiva pouco vista neste álbum e "Copernicus", onde se sente muito a utilização do teclado a embelezar a obra.

9.0/10


País: Estados Unidos da América
Ano: 2009
Editora: Warner Bros. Records / Mercury

Myspace

Tracklist:

1. "Since We've Been Wrong" 7:21
2. "Teflon" 5:04
3. "Halo of Nembutals" 5:31
4. "With Twilight as My Guide" 7:52
5. "Cotopaxi" 3:38
6. "Desperate Graves" 4:57
7. "Copernicus" 7:23
8. "Luciforms" 8:22

quarta-feira, 15 de julho de 2009

"Ephemeral"

Dedico este meu serão a disertar breves palavras sobre o novo trabalho dos Pelican. Esta banda de Post e Doom-Metal lançou no passado mês de Junho o seu novo Extended Play, Ephemeral. Veio, assim, trazer novidades aos seus fãs sobre qual o caminho que está a ser desbravado para o aguardado novo álbum.

Com este cheirinho, a banda americana mostra-nos que o seu som está cada vez mais afastado do seu álbum de 2003, sem no entanto se perder toda a emoção que a sua música desperta.
As guitarras estão muito mais pesadas mas o espírito permanece o mesmo. No entanto sente-se que a banda não arriscou muito neste EP, mantendo a linha que os tem guiado na sua carreira.

Ephemeral dá-nos sinais de bom tempo por Los Angeles.


8/10



País: Estados Unidos da América
Ano: 2009
Editora: Southern Lord Records

Myspace - www.myspace.com/pelican

Tracklist:

1. "Embedding the Moss"
2. "Ephemeral"
3. "Geometry of Murder" - (Earth cover)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

"The Eternal"

Após um interregno de três anos no que toca a concepção musical, os Sonic Youth voltam com o seu novo e tão aguardado álbum The Eternal. Porém, a idade parece não afectar a sonoridade do colectivo de New York, que continua a impor ritmo ao seu rock experimental. Este novo álbum é o primeiro pela editora Matador Records e também o primeiro com Mark Ibold, baixista da primeira formação de Pavement.



The Eternal é assim um álbum baseado num rock mais agressivo. "Sacred Trickster" abre o álbum com enorme força, força essa que é aproveitada para músicas como "Anti-Orgasm", "What We Know" e "Poison Arrow".
No fim do álbum surge possivelmente a música mais calma do álbum, "Massage the History" que, talvez pela sua imprevisibilidade, se torna numa das melhores de todo este trabalho.
De salientar também o excelente trabalho de Kim Gordon nas letras que agarrou. Continua a trazer algo de especial à sonoridade dos Sonic Youth.

8.0/10

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País: Estados Unidos da América

Ano:2009

Editora: Matador Records

Myspace


Tracklist:


1. "Sacred Trickster" (Vocals Gordon)
2. "Anti-Orgasm" (Vocals Gordon/Moore/Ranaldo)
3. "Leaky Lifeboat (for Gregory Corso)" (Vocals Gordon/Moore/Ranaldo)
4. "Antenna" (Vocals Moore/Ranaldo)
5. "What We Know" (Vocals Ranaldo/Gordon)
6. "Calming the Snake" (Vocals Gordon)
7. "Poison Arrow" (Vocals Ranaldo/Gordon/Moore)
8. "Malibu Gas Station" (Vocals Gordon)
9. "Thunderclap for Bobby Pyn" (Vocals Moore)
10. "No Way" (Vocals Moore/Ranaldo)
11. "Walkin Blue" (Vocals Ranaldo)
12. "Massage the History" (Vocals Gordon)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

"Farm"

O que dizer destes senhores? Muito pouco, visto que a sua música diz quase tudo. Banda de Indie Rock com mais de 25 anos, sempre um passo à frente no que toca a experimentalismo, embora um pouco escondida no seu movimento underground. Trabalhos como You're Living All Over Me, Bug e Green Mind pautam a sua carreira reconhecida mesmo pela crítica mais exigente.

Foi através de um vídeo que a banda nos começou a mostrar o caminho do seu novo álbum. I Don't Wanna Go There abriu de tal maneira o apetite pelo novo trabalho que pessoalmente preferia que tivesse sido disponibilizado mais perto da data de lançamento do álbum. Isto para "sofrer" menos tempo.





Farm é assim um álbum feito à figura de Dinosaur Jr.. Tanto nos excita como nos toca. J Mascis continua a criar decibeis de genialidade a partir da sua guitarra, o que de certa forma é notável. Uma banda como os Dinosaur Jr. podia muito bem ter regressado com algo que apenas desse continuidade à sua carreira, algo que os mantivesse "vivos". No entanto a banda recusa-se a seguir o caminho mais fácil e opta por aquele que lhes dá mais gozo, o de explorar o seu som e de continuamente o renascer.
Continuam a mostrar a muito boa gente como é que se faz música. Enough Said.

8.5/10


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País: Estados Unidos da América

Ano: 2009

Editora: Jagjaguwar

Tracklist:


1. "Pieces"

2. "I Want You to Know"

3. "Ocean in the Way"

4. "Plans"

5. "Your Weather"

6. "Over It"

7. "Friends"

8. "Said the People"

9. "There's No Here"

10. "See You"

11. "I Don't Wanna Go There"

12. "Imagination Blind"

segunda-feira, 1 de junho de 2009

"Vendaval"

Desde já se avisa que este álbum não tem qualquer música marcante como "Lisboa" no primeiro. É algo que tira um tom algo épico ao álbum, mas sem que este perca o seu efeito de um ambiente sombrio mas estranhamente agradável. Mas claro que isto não irá retirar a qualidade musical ao grupo. Essa continua lá. Afinal, é uma "super-banda" que para os menos conhecedores, faz da melhor música "pesada" (não gosto nada deste termo, mas não encontro nada melhor a esta hora) nacional e a na minha humilde opinião, da europa. É algo de fascinante a forma como tudo parece fazer sentido nos trabalhos deste grupo de amigos e consegue agarrar quem ouve. Mas há que ser sincero: a nova forma de Heartbeating Locomotiva, Man Hates Space (possivelmente a faixa mais próxima da genialidade neste trabalho) ou Dead at Sea, não chegam para bater o fantástico "Hellstone", mas mantêm um nível bem alto. Não envergonha ninguém este álbum e só mostra a muita qualidade que ainda existe no doom (nacional).

7.0/10


País: Portugal
Ano: 2009
Editora: Raging Planet

Myspace

Tracklist:

1. First Season
2. Heartbeating Locomotiva
3. Man Hates Space
4 Quatero
5. Drunk Flies Drugged Souls
6. Last Season
7. 1200
8. Medusa
9. Novee
10. Coldest Tide
11. Queen of A Million
12. Dead at Sea

sábado, 25 de abril de 2009

"Static Tensions"

Confesso que não conhecia esta banda até há cerca de quinze dias, mas ao ler uma publicação estrangeira, saltou-me à vista este álbum. Não só por ter uma capa muito sui generis, assim como o facto de o autor do texto assinar com um nome tipicamente português. Foi meio caminho andado para ficar curioso. Arranjei o álbum e assim que tive tempo, decidi confirmar as boas indicações deixadas. E de facto não fiquei mesmo nada desapontado. Em termos de instrumental, sente-se logo uma semelhança com bandas como Neurosis ou Mastodon. E a linha é claramente semelhante, com umas ligeiras modificações que dão o cunho pessoal ao som da banda. Nota-se uma grande harmonia no funcionamento do grupo, sons muito poderosos para fãs do género, com uma grande descarga de energia, fazendo uso de uma grande técnica e dando grande destaque à bateria. Como de costume, não me alongarei muito mais do que o suficiente para, espero eu, deixar a vontade de experimentar.

8.0/10

"Static Tensions":

Scapegoat (3:25)
Insomnia for Months (2:04)
Said and Done (4:09)
Unknown Awareness (4:22)
Running Red (5:46)
Nature's Predators (4:10)
Almost Lost (3:03)
Only One (5:20)
Perception (3:43)
To Walk Alone (4:22)

"Ten" (Remixed)

Ora bem, depois de três semanas de ausência "forçada" (não foi por falta de vontade), volto com uma edição extra para compensar. E para começar, vai uma análise curtinha ao "novo Ten" dos Pearl Jam. Basicamente, e de modo a contextualizar este re-lançamento do álbum, a banda irá celebrar em 2011 o lançamento do primeiro álbum de originais e decidiram aproveitar esta altura para pensar em dar uma nova vestimenta ao álbum (e possivelmente a outros), fazendo uma nova produção, para ir mais de encontro ao que os elementos da banda desejavam. Pode-se dizer que esta nova versão apresenta claramente um ponto de vista mais do lado de músico e com muito mais experiência em cima, com correcções a pequenos pormenores típicos do início da carreira. Não será necessário mencionar grandes "hits" como "Alive", "Even Flow" ou "Black", que fizeram deste album o que é hoje, um verdadeiro marco. E também não vale a pena dizer que agora sim o álbum está bom, porque "Ten" foi o álbum certo, na hora certa e que mostrava toda a irreverência de uma banda composta essencialmente por músicos jovens. Não vou alongar muito mais, porque não penso ser necessário num álbum com uma história já feita (e que bonita história...). Essencialmente, este trabalho foi feito para os fãs, juntando um DVD do famoso "MTV Unplugged" e a gravação ao vivo de "Drop in the Park" de 1992, dois momentos históricos para a banda.

9.0/10 (apenas para os fãs, os outros poderão ficar algo desiludidos com o produto)


"Ten" (Remixed):

"Once" (Eddie Vedder, Stone Gossard) – 3:51
"Even Flow" (Vedder, Gossard) – 4:53
"Alive" (Vedder, Gossard) – 5:40
"Why Go" (Vedder, Jeff Ament) – 3:19
"Black" (Vedder, Gossard) – 5:43
"Jeremy" (Vedder, Ament) – 5:18
"Oceans" (Vedder, Gossard, Ament) – 2:41
"Porch" (Vedder) – 3:30
"Garden" (Vedder, Gossard, Ament) – 4:58
"Deep" (Vedder, Gossard, Ament) – 4:18
"Release" (Ament, Gossard, Dave Krusen, Mike McCready, Vedder) – 9:04 
"Release" contains the hidden track "Master/Slave" at 5:20.
"Brother" (Vedder, Gossard) – 3:59
"Just a Girl" (Vedder, Gossard) – 5:02
"Breath and a Scream" (Vedder, Gossard) – 5:58
"State of Love and Trust" (Vedder, McCready, Ament) – 4:49
"2,000 Mile Blues" (Vedder, Ament, McCready, Krusen) – 3:58
"Evil Little Goat" (Ament, Gossard, Krusen, McCready, Vedder) – 1:29

quarta-feira, 8 de abril de 2009

"Bromst"

Como era sabido, Dan não se queria afastar muito do seu último trabalho, Spiderman Of The Rings. Isto porque adora a sua sonoridade, que já lhe é muita característica. Quando se é bom em algo, o melhor é focar-se nos seus dotes e não ter mais olhos que barriga. E foi assim que Dan Deacon desenvolveu este seu novo álbum, não muito distante do segundo mas suficientemente longe para não ficar na sombra do anterior.

Enquanto que Spiderman Of The Rings soa a festa, Bromst tem muito mais de celebração, muito mais de significado. Os sons são muito mais densos e têm muito mais sumo. As músicas pedem mais admiração e não tanto que se dance.
No fundo é um álbum feito para nos fazer disfrutar o momento vivido, um álbum que é capaz de abstrair a nossa alma dos problemas e fazer-nos ver um mundo misterioso e de facto valioso.
As músicas voltam a recorrer a muito delay, reverb e fuzz e tanto o piano como a percussão destacam-se positivamente, o primeiro pela sua beleza e complexidade e o segundo pelos ritmos acelerados que sustentam a maior parte do álbum.

De facto este novo álbum vem mostrar que Dan pode muito bem ser um dominador no noise-pop ou do future shock, como muitos já definiram o estilo do americano.
Bromst é de facto um grande álbum, destacando-se na corrida aos melhores do ano do seu género.

De salientar o excelente trabalho de capa. Dá mesmo vontade de pegar nele e de o descobrir.


8.6/10



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1. "Build Voice" 5:28
2. "Red F" 4:38
3. "Paddling Ghost" 4:06
4. "Snookered" 8:04
5. "Of the Mountains" 7:16
6. "Surprise Stefani" 7:46
7. "Wet Wings" 2:53
8. "Woof Woof" 4:44
9. "Slow with Horns / Run for Your Life" 6:35
10. "Baltihorse" 6:22
11. "Get Older" 6:30



sábado, 4 de abril de 2009

"Living Thing"

Pop de grande qualidade? Onde? Pois, aqui está. Uma pequena sapatada deste grupo no mundo da "pop music", que nos brinda com quantidades infindáveis de lixo. O que não acontece neste caso, dada a qualidade muito elevada. É um álbum incrivelmente viciante, bem pensado, que dá vontade de ouvir de início a fim de uma só vez (a meu ver é o ponto mais importante quando se cria um álbum, o facto de todas as músicas funcionarem bem como conjunto). Já com dois singles lançados ("Lay it down" e "Nothing to worry about"), o grupo tenta marcar impacto desde já. Ambos os singles ficam bem na cabeça e mostram-se com ritmos extremamente alegres, pelo que com certeza não desiludirão fãs e captarão alguns novos fãs. Sem me alongar muito, um trabalho de grande nível, dos melhores do primeiro trimestre de 2009, deixando qualquer um a pedir que outros álbuns dentro do género lançados este ano, venham com o mesmo nível.

8.0/10


"Living Thing":

The Feeling
It Don't Move Me
Just the Past
Nothing to Worry About
I'm Losing My Mind
Living Thing
I Want You!
Lay It Down
Stay This Way
Blue Period Picasso
4 Out of 5
Last Night

quinta-feira, 2 de abril de 2009

"Fork In The Road"

É claramente indiscutível o estatuto que o senhor Young ocupa na música há várias décadas, estatuto esse que lhe permite fazer de tudo.
Também se sabe que Neil Young se soube adaptar à mudança dos tempos, nunca deixando para trás as suas raízes. Soube pegar numa guitarra eléctrica e com ela aproximar o seu som das novas gerações. E é isso que Neil Young continua a fazer, continua a arriscar novas experiências.

Fork In The Road surge numa altura em que Neil Young faz parte do projecto Lincvolt e daí este seu novo álbum ser inspirado no Lincoln Continental de 1959 que foi totalmente modificado para trabalhar inteiramente a energias renováveis.
É logo bastante perceptível que o álbum se encontra muito à volta do mundo automóvel. Deste o título do álbum ao título das músicas percebe-se que tudo tem um bocadinho de carros. E quando finalmente se ouve o trabalho no seu todo, tudo faz sentido: o blues em movimento é a grande base do álbum e as guitarras bastante experimentais e industriais soam a trabalhos de oficina.
Saliento a Just Singing A Song, um registo que nos lembra um Young já por nós conhecido mas que nunca nos cansamos de ouvir. Só se pedia um solo maior.

Um trabalho bastante conceptual que transpira Blues por tudo o que é nota.
Neil Young mostra assim que continua aí para as curvas e nós, fãs, só devemos estar felizes por isso.


6.5/10


Buy | Download


1. “When Worlds Collide” 4:00
2. “Fuel Line” 5:00
3. “Just Singing a Song” 3:32
4. “Johnny Magic” 6:42
5. “Cough Up the Bucks” 5:11
6. “Get Behind the Wheel” 5:37
7. “Off the Road” 4:20
8. “Hit the Road” 4:12
9. “Light a Candle” 7:21
10. “Fork in the Road” 6:00